26 junho 2010

Honra

デッドエンド・シンフォニー
Monte Fuji

Eu sempre fui um admirador da cultura japonesa, fascinam-me alguns comportamentos típicos desses nossos irmãos orientais. Eles têm uma disciplina que supera a nossa e nos faz parecer soldados rasos ante um general vitorioso, a perseguição quase obsessiva pela perfeição de algo, o bushido que ensina viver a cada segundo, a cada tecla que eu aperto aqui, a cada linha que você lê aí. Existe outro grande aspecto latente na cultura japonesa, a honra, que é um valor baseado num princípio orientador, ou um sentimento relacionado ao respeito público, tornando alguém incorruptível, ela esta ligada diretamente com a integridade.

Se não controlada a honra se deturpa e flerta com o orgulho, outras vezes se assemelha a um narcótico. A ética deveria ser a principal lei interna da honra, contudo são comuns associações com moralismos. Por exemplo, era costume uma mulher manter protegida a sua virgindade para assim preservar a sua “honra”. O samurai também mantinha a honra como um bem valioso e se a perdesse, intencionalmente ou não, era melhor o Seppuku, ou suicídio, contudo a "honra" estava ligada estritamente a obedinência e lealdade ao Daimyo - feudo. Logo a honra esta sempre relacionada à sociedade em que ela esta inserida e limitada as suas verdades e regras.

Recentemente virou moda no nosso lado ocidental ser desonroso, somos impelidos à sermos assim por pressão, tudo de plástico no nosso mundo descartável, nada feito para durar e atributos excenciais que precisam de esforço se tornam dispensáveis. Se fosse o contrario e a honra fosse incentivada ela inspiraria confiança e credibilidade nas pessoas - o que esta em falta - gerando otimismo e evolução. 

"A glória deve ser conquistada; a honra, por sua vez, basta que não seja perdida."

Arthur Schopenhauer

21 junho 2010

Conselho de vilão

"Sempre tenha um objetivo. Saiba como o jogo acaba antes de levantar a mão. Mantenha sua mente livre, emoções o tornam fraco. E o mais importante: Entenda claramente a sua motivação, sempre saiba bem o que quer."
Sylar

19 junho 2010

Videologs

Navegando na net eu notei que ando usando boa parte do meu tempo visitando alguns videolog's - ou vlog's - o conceito em si me interessou de início, eles são como um blog, só que ao inves de usar a escrita usa-se o vídeo para registrar, é mais prático basta dar play, alem do mais, creio que uma quantidade superior de informação pode ser transmitida no audio/vídeo que ultrapassa a taxa de tranferência da escrita. Já pensei em vlogar e desisti, me daria muito trabalho e teria que investir em equipamentos.

Eu já usei vídeos de vlogs aqui no blog, e usarei de novo agora para ilustrar o tema de hoje, e a vitima é o canal do Denis Lee no Youtube, vou retwittar aqui alguns posts dele, para que se entenda bem o que é um "post de vlog". No vídeo abaixo ele faz um "remendo de assuntos" - como ele mesmo fala - começa falando sobre a escrita, como ela revoluciona a mente após colocá-la em prática no seu dia-dia e o impacto que suas palavras tem em você mesmo, depois ele comenta sobre um livro que te ensina a usar a agenda para ter mais tempo-livre - todos queremos ser Hiro Nakamura - e termina falando sobre os vlogs aqui na web brasileira, e nada melhor que um vlogueiro para falar a respeito. 

"A escrita, o livro e maspoxavida"




Eu gostei do estilo do Denis, na verdade até indico o blog dele, por isso postarei aqui outro vídeo dele, sendo que neste a edição é muito melhor que o de acima, o tema é mais complexo envolvendo vários subplots que ele criativamente juntou tudo numa narração, tendo ao fundo o clássico recurso do stop motion. Ele dá uma introdução sobre as teorias no desenvolvimento individual e concluí questionando o grau de importância dos ramos de estudos na formação acadêmica atual.

"Considerações sobre o sistema educacional contemporâneo."

Aqui, site com uma lista de vlog's:

17 junho 2010

O valor de um mero lápis.

"Há mais coisas entre o céu e a terra Horácio, do que sonha tua vã filosofia"
William Shakespeare


Palestrante: Milton Friedman - Economista

14 junho 2010

Tarantino's Mind

Shelton Melo e Seu Jorge interpretam papeis realmente fodas nesse filme da 300M, dois amigos se encontram num bar para tomar uma cerveja e conversar um pouco sobre filmes, cinéfilos com certeza curtem esse curta que envolve o grande diretor de cinema americano "Quentin Tarantino" mesmo estando ultrapassado, acho bem intrigante (bem que podia ser verdade), divirta-se. xD


09 junho 2010

Desabafo virtual contra teístas

"Abaixo vídeo de PC Siqueira questionando algumas atitudes extremistas.

Parte 1



Parte 2


Vou comentar esse vídeo acima, mas primeiro quero esclarecer que eu não sou ateu - nem sei o que eu seria - talvez agnóstico, outras vezes beliver em algo personalizado - super conveniente né - e de vez em quando: um descrente total, mas mesmo nessa fases não sou ateu, pois pra mim o ateu é o crente do nada, que apesar de ser impossível provar a não-existência de Deus usa da "fé" pra dizer que ele não existe. Ótimo, agora com isso em mesa falo sobre PC Siqueira, o achei de uma sapiciência incrível, comecei a ver o vídeo meio distraído e em alguns minutos já estava vidrado dizendo amém pra "quase" tudo que ele falava, quando ele citou o "Unicórnio Cor-de-rosa Invisível" realmente o levei a sério.

Pra ser mais divertido, vou escrever antes "o contra".  Uma critica deve ser bem descrita então optei por postar somente um dos meus contras: A Religião não é o maior problema da humanidade, o mal uso dela sim, por isso concordo com tudo que ele disse sobre fanatismo. Porem se você usar de bom senso você pode ler todos os textos "sagrados" de todas as religiões do mundo e no final sua bagagem cultural será enorme! Esses textos não sobreviveram ao tempo só por causa das mãos dos tiranos teístas, tambem por serem uma valiosa obra de arte na humanidade. Me usando como exemplo: eu jamais humilharia alguem, nem jamais roubaria algo de qualquer um, também jamais sequer cogitaria a hipótese de um assassinato e jamais menosprezaria o presente do universo conhecido como "existência". Escrevi propositadamente tantos "jamais" pra enfatizar que NUNCA faria nada dessas coisas medíocres, e que as verdades que constituem o meu "eu", são derivadas em parte dos meus estudos da cultura judaico-cristã
, esotéricas, budistas e hindu. Mas é como falei, eu li com bom senso, eu consegui ler uma metáfora, consegui discernir o que é útil do que é arcaico, esses textos tem milênios e eles serviam bem a sociedade primitiva, contudo não podem ser aplicados de maneira literal e em sua totalidade nos dias de hoje. Vou até usar a Bíblia como referência: “Ponde tudo à prova. Retende o que é bom" (I Ts 5.21) Ou seja, leia realmente "tudo" e use pra sua vida somente o que é sadío e válido, o resto que for ultrapassado não serve como modo de conduta. Pra isso é preciso ter o discernimento da inteligência própria.

E agora pra fazer a ovação, os "prós":

Adorei o "pensem por si mesmos", seja você quem for, não tenha medo de expressar sua real mente, não importa se os outros vão apedrejar você, se te criticarem (ótimo, essa é a meta), use isso a seu favor, não descarte outro ponto de vista, ele é tão valioso quanto o seu. E caso sejam criticas gratuitas só com más intenções não se ofenda, pois quem solta "coisas" assim sempre tem pensamentos-prontos (a caixinha) como se fossem formulas sujas que eles tentam aplicar em todas as questões, à eles envie a sua pena. E digo mais: "é tão bom pensar" uma pessoa não deve colocar a razão em suspensão ou trocá-la por ensinos (como PC falou), sejam eles providos do Pentateuco, Nietzsche ou o Google,  jamais devemos substituir a nós mesmo. Quem vive por si mesmo sofre (é verdade), pois se percebe que a responsabilidade da sua vida é só SUA, ao se questionar tudo uma grande dor vem junto, na maioria das vezes você se dedicará à algo falso ou ilusório e no final terá de jogar tudo fora e recomeçar de novo (e de novo e de novo). Quando se achar um "gênio", vai perceber que fez uma esfera de intelectualidade e se trancou dentro dela, pois se realmente tem a luz e não "ilumina" é pior que o ignorante que de nada sabe. E isso que disse acima não é uma doutrina, se acha que estou errado, por favor, me apedreje.

Eu também penso que quando eu morrer, eu vou morrer! Por mais redundante que isso soe, pois quando o meu cérebro pifar o meu "eu" pifará junto, ou seja, adeus todas as minhas memórias, ideias, conceitos, trejeitos, verdades, vitórias e etc. Pode existir um além? Pode. Entretanto não vejo porque o universo criaria algo tão engenhoso como o meu cerebelum se lá no pós-morte tem um back-up de mim, entende.

P.s.: Aqui
 está o vídeo que o PC Siqueira fala sobre as baratas, mas nesse link ele usa seu estilo cômico clássico que passa até na MTV, não é "sério" como o vídeo acima.

07 abril 2010

Fonte da Vida

Death is th Road to Awe - Clint Mansel


"Assim, Deus baniu Adão e Eva do Jardim do Éden e colocou uma espada flamejante para proteger a Árvore da Vida."
Gênese 3:24

Deus teve medo e a escondeu dos mortais, uma prova (teológica) que é possível, é o anseio de todos os que vivem, continuar sem fim a sua história. Muitos tentaram e até ficaram famosos na sua busca, como é o caso do alquimista Nicolas Flamel que segundo a lenda teria produzido a Pedra Filosofal, ou elixir da vida eterna, contudo, infelizmente, ele morreu. Freddie Mercury perguntava: "Who wants to live forever?(Quem quer viver para sempre?)" na sua linda canção que questiona a relevância das coisas frente a morte certa e inevitável.

Prepare-se para virar um hippie-metafisico com o filme "Fonte da Vida" (2006), escrito e dirigido por Darren Aronofsky, autor de filmes tão singulares e polémicos como "Pi" (1998) e "Requiem para um Sonho" (2000). Fonte da Vida é um dos meus três filmes preferidos, ao lado de Dogville e Scanner Darkly. O maestro Clint Mansel, responsável pela trilha sonora fez um dos melhores trabalhos de sua carreira com partituras singelas e ao mesmo tempo grandiosas na ressonância de sensações e emoções.

Quando o vi pela primeira vez, eu não consegui absorver tudo o que a película proporciona, são vários temas subjetivos, entrelinhas filosóficas e significados ocultos divididos em três linhas temporais. Pode parecer complexo (e é na verdade), mas é delicioso extamente por isso: é atrevido em sagacidade mas não no estilo cult pretensioso, qualquer um pode entender essa saga na luta contra a morte.



Seguindo a metáfora bíblica, por ter comido da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, o ser humano teve como consequência o nosso dia-dia moderno, nós vivemos com essa dualidade, tal como: Amor e ódio, viver ou morrer, certo e errado. Elas praticamente infectam todos os momentos do nosso cotidiano, em baixo de tudo isso esta a verdade: A Árvore da Vida, que representa a unidade ingénua do utópico Jardin do Éden. Pode existir uma diferença entre mim e você, mas se formos fazer um paralelo, somos um (ou estamos um), minha mente esta conectada com a sua fazendo uma só "frequência", a diferenciação entre escritor de blog e leitor de blog se torna irrelevante, o que importa é a mensagem que foi / esta sendo enviada por mim e recebida por você, que é uma só.

O filme nos ensina que é preciso um desprendimento do ego para vencer a morte, se entregar ao inevitável para poder viver plenamente. Nele viajamos pelos labirintos da existência humana até os seus confins, sonhamos com a eternidade do espírito humano e de um amor indestrutível. A fotografia é espetácular, cores quentes contrastam com a fragilidade de Izzy (Rachel Weizs), os efeitos especiais não somente feitos a base de computação gráfica, são também usadas reações químicas para demonstrar a explosão de uma super nova: Shibalba.

Um dos grandes atratívos do filme é fato da mesma história ser contada em tempos e realidades diferentes, isso desafia a imaginação do expectador, suas três premissas temporais básicas são: No Século XVI O navegador espanhol Tom (Hugh Jackman) vai até as Américas em busca da Árvore da Vida para salvar a sua Rainha (Rachel Wezs); no presente o médico Tom desesperadamente tenta achar a cura do câncer para a sua esposa e no futuro (Século XXVI) o astronauta Tom finalmente consegue achar repostas para sua perguntas.


Concluindo o filme num "Eterno Retorno Nietzscheniano", ou seja, um universo limitado em espaço contudo infinito em tempo. Nesse universo, após se esgotarem todas as combinações possíveis de seus elementos (como cartas em um baralho), tais combinações passariam a se repetir indefinidamente, assim sendo, todas as mais insignificantes variantes possíveis na vida de uma pessoa, animal, átomo ou até elétron seriam vividas da mesmíssima forma por toda a eternidade. Estamos a repetir eternamente o que eternamente estamos à repetir.


E alem de tudo, esse filme nos faz questionar: Amamos essa vida ou não? Se tudo retorna - prazer, dor, alegria, guerras, fome, grandeza, mediocridade - se tudo torna, isso é um dom ou uma maldição? Seriamos capazes de amar-mos a vida tal qual a temos - única vida que temos - a ponto de vivê-la como ela é, sem a menor alteração, por todo o sempre? Sofrendo e gozando da mesma forma e mesma intensidade? Temos amor a esse ponto ao nosso destino? Essa é grande questão filosófica, o Eterno Retorno que esta presente nesse magnífico filme.